Igreja Presbiteriana de Cidade Ademar

O Trabalho Diaconal

O mundo do Novo Testamento era similar ao nosso na forma como via a servidão. O serviço aos outros não era admirado pelos gregos. Pelo contrário, eles admiravam primariamente o desenvolvimento do caráter e personalidade, sempre com um olho na manutenção do respeito próprio. O serviço diaconal aos outros era visto como o que descreveríamos pelo termo pejorativo de “servil”.

Embora tal serviço fosse desprezado no mundo grego, Jesus o considerou muito diferentemente. Em João 12.26 Jesus disse: “Se alguém me serve (diakoneo), siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo (diakonos). E se alguém me servir (diakoneo), o Pai o honrará.”  Também em Mateus 20.26 Jesus disse: “quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva (diakonos).”

De fato, Jesus apresentou a si mesmo  como um tipo de diácono (Mt. 20.28). Os cristãos são apresentados como sendo diáconos de Cristo ou de seu Evangelho. Os apóstolos eram descritos assim e era assim que Paulo se referia a si mesmo e àqueles que trabalhavam com ele. Paulo chama Timóteo de um diácono de Cristo (1 Tm 4.6), e Pedro diz que os profetas do Antigo Testamento eram diáconos para nós cristãos ( 1 Pd 1.12). Até os anjos são chamado de diáconos (Hb 1.14).

Deveríamos ser cuidadosos em manter uma distinção entre o ministério dos diáconos e o ministério dos presbíteros. Num sentido, tanto presbíteros quanto diáconos estão envolvidos na “diaconia”, mas esse serviço toma duas formas bem diferente.

É em Atos 6 que encontramos a passagem crucial onde a diaconia é dividida entre a diaconia tradicional (servir à mesa, serviço físico), e o tipo de diaconia da Palavra à qual os apóstolos (e mais tarde, os presbíteros) foram chamados. Os diáconos descritos em Atos 6 são muito parecidos com os cooperadores da igreja, pelo menos no sentido administrativo. Eles tinham que cuidar das necessidades físicas da igreja.  Assim sendo, estabelecer na igreja um grupo com esse ministério particular é importante porque uma falha em fazê-lo pode resultar numa confusão entre os dois tipos de diaconias  – a da Palavra (presbíteros) e a das mesas (diáconos).

As igrejas não deveriam negligenciar nem a pregação da Palavra, nem o cuidado prático pelos membros que ajudam a encorajar a unidade e cuidam dos nossos deveres de amar uns aos outros. Esses dois aspectos da vida e ministério da igreja são importantes.

Para assegurar que tenhamos os dois tipos de “diaconia”  em vigor, as Igrejas Presbiterianas  fazem uma distinção entre o ministério dos diáconos e o ministério dos presbíteros. Compete aos presbíteros servir no exercício do governo, da disciplina, zelar pelos interesses da igreja e  de toda a comunidade. Compete aos diáconos servir na arrecadação de ofertas para fins piedosos; no cuidado dos pobres, doentes e inválidos; na manutenção da ordem e reverência nos lugares reservados ao serviço divino e, finalmente, exercer a fiscalização para que haja boa ordem na Casa de Deus e suas dependências.

Rev. Abidias F. Teixeira

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *